A Arte de Vestir em Segunda Mão

por RETRY CD

A Arte de Vestir em Segunda Mão

O meu armário está cheio de peças que as amigas me deram, que procurei em lojinhas de segunda mão ou mesmo em feirinhas. Agora também procuro em sites especializados de roupa em segunda mão, como por exemplo, na Retry.
Nas emblemáticas capitais europeias, existem, pelo menos, desde a minha adolescência, lojas de segunda mão, mercadinhos, onde pode encontrar roupa de todas as épocas, de marcas internacionais, icónicas ou simplesmente aquele vestido feito para um corpo que, parecido ou não com o seu, a levou a reter o olhar.


E falo por mim que desde muito nova me habituei nas viagens por vários continentes, a procurar lojas em segunda mão quer de roupa, acessórios, bem como de arte e decoração.
Hoje tenho um espólio invejável e com história. De cada vez que pego numa dessas peças, inevitavelmente me lembro da viagem, logo encontro imediatamente uma mais valia. A lembrança do que gozei à procura da peça “exclusiva” para mim.


Pois é, segunda mão também nos traz essa peculiaridade que é a dificuldade de encontrar alguém com outra peça igual. É quase, garantidamente, única.
E mesmo que encontre outra igual verá como essa peça se apresenta à sociedade de forma diferente, da sua. Aí, é o estilo de cada um a funcionar.
Outra particularidade interessante é a qualidade que a peça mantém, permanecendo em muito bom estado, apesar da carga dos anos. Para atravessar várias mãos e permanecer interessante no tempo, é porque foi feita numa época em que a qualidade era uma das maiores premissas e as peças eram minuciosamente vistas antes de saírem da mão do artesão ou da fábrica.
Outra grande vantagem, é o corte e a data da peça. Apesar do revivalismo estar muito em voga, as verdadeiras, estão impregnadas de um carisma que é impossível superar.
Um bom corte é digno de respeito.

Quando põe a peça em si e vê como ela lhe assenta como uma luva, ou que pode mandar rectificar sem desvirtuar o corte, é sem dúvida mais um ponto enorme a favor da sua escolha de segunda mão.
Também nos traz a sensação de que podemos viajar no tempo, pensar a quem pertenceu e como essa pessoa a explorou. E aqui entra o sonho!
Essas peças que perduraram no tempo misturadas com acessórios e com o seu toque especial e único, podem fazer da sua imagem uma verdadeira composição de arte.


Quem não se lembra do vestido preto de Audrey Hepburn ou do vestido branco de Marilyn Monroe? Quem não desejaria um fato Chanel dos anos 60? E como se mantêm actuais estas peças já com idade de serem avós.
Vasculhem na vossa memória e descubram como essas peças permanecem vivas e eternas.

A moda tem uma influência nas nossas vidas mais do que nos apercebemos ou que estamos dispostos a acreditar. Há roupas que parecem que sempre estiveram presentes e são conhecidas até mesmo por aqueles que não sabem muito sobre moda, mas que têm o olhar mais apurado e sentem-se familiarizados com elas.


E agora fica aqui um cheirinho da criação e motivação de algumas dessas peças:

 

  • A 5 de julho de 1946, Micheline Bernardini, criou o BikiniMeu Deus! A igreja católica caiu-lhe em cima sem dó nem piedade, pois achava-o indecoroso. Mas em 1951, com os concursos de Miss Universo, foi usado como um dos trajes obrigatórios. As concorrentes usaram-no, algumas vaiadas, outras elogiadas e dois anos depois Brigitte Bardot foi fotografada e popularizou-o, levando-o à praia. Mas só em 1969 é que BB apareceu na capa da revista “Playboy” e foi adoptado por inúmeras mulheres. Consequência disso o bikini entrou definitivamente para a sociedade.

 

  • O vestido preto (com que nunca me comprometo) foi nas mãos de Coco Chanel que entrou como que por decreto como peça icónica e obrigatória de qualquer guarda roupa. Coco Chanel desenhou-o de diversas formas para mulheres que necessitavam de uma peça, simples, útil ,confortável e funcional que revelasse também a sua independência e “soberania”. Com a sua simplicidade, e com todos os outros adjectivos que enumerei, tornou-se uma peça básica em todos os lares onde houvesse uma mulher.

E quem não guardou um da mãe ou da avó?
Normalmente Chanel fazia-os intemporais tal como sua moda, ainda o é.

  • - A Mini-Saia dizem que foi Mary Quant, verdadeira irreverente e provocadora, que subiu a bainha da saia e a fez sair à rua, tornando-se logo uma peça “tendência” que todas as mulheres imitaram. Outros, porém, dizem que foi André Courréges que a criou e que a desenvolveu dando-lhe a conhecer o mundo. Ficamos assim sem saber a quem cabe o mérito da criação, mas uma coisa sabemos, ficou na história da moda como uma peça que revolucionou o conceito de vestuário até aí usado.

E preste atenção, este ano a mini saia vai bombar de novo. Aproveite enquanto as suas pernas assim o permitem e suba as bainhas. Com uns collants transparentes produz um look mais sexy. Com uns mais opacos produz um look mais simples que vai bem num programa mais social ou até para o trabalho. Às vezes a mudança de collants, sapatos e casaco, adicionando uma écharpe ou umas jóias, são o segredo de uma transformação rápida e eficiente que a poderá levar do trabalho até um convívio agradável ou mesmo a “um pé de dança”.

 

  • camisa branca é provavelmente uma das escolhas preferidas no mundo. Básica ou com detalhes mais requintados é um recurso que fica sempre bem. Pela candura e neutralidade da cor, pela elegância, pela diversidade de combinações com outras cores, pela facilidade de diálogo com adereços etc, torna-se uma peça indispensável em qualquer guarda roupa. No século XIX, vestir uma camisa branca, era sinónimo de pertencer à elite. De seda, algodão ou linho, era usada por pessoas de nível social elevado.Eu tenho uma camisa branca com “nervurinhas” que é uma relíquia. Adoraria saber a quem pertenceu e como viveu. Mas comprei-a numa loja de velharias e a história sou eu que a vou fazer agora.

Hoje, felizmente é uma das peças mais importantes de um armário e simples ou mais elaborada, até pela própria luz que transmite é uma peça que acrescenta elegância.

  • blusão de couro, nasceu para colmatar a necessidade dos aviadores da Primeira Guerra Mundial, de terem uma peça prática, funcional e que se adaptasse à sua actividade. Nasceu já com um design cuidado e com forro acolchoado e gola mais alta de forma a protegê-los do vento.

Mas no pós guerras (+/-1950) quando o “rebelde” James Dean o usou no filme “Juventude transviada”, não houve quem não quisesse ter um exemplar. A imagem insubordinada aliada aos comportamentos próprios dos anos 50/60, foi imediatamente acolhida pelos jovens.Nos anos 80, o blusão de couro foi de novo adorado e tornou-se peça representativa e indispensável do rock ,do heavy metal e também dos motards. Recomendo que tenha um, no seu armário. Comprado em segunda mão, virá já com marcas sedutoras do tempo que lhe incutirão ainda mais charme, como remate do seu outfit e com as inerentes conotações de rebeldia irá com toda a certeza marcar a diferença. Provoque! Ouse nas misturas! Procure na Retry. Um blusão de couro é uma compra para a vida!

 

  • Trench coat é um casaco ou gabardine, com dupla abotoadura, que também não nasceu para as passarelas. Mais uma vez, foi criado para o exército da Grã Bretanha para solver as necessidades dos soldados que necessitavam de um casaco que lhes protegesse bem o peito.Foi desenhado por Sir Thomas Burberry, a pensar naqueles que estavam nas trincheiras.Inicialmente produzidos em algodão e impermeável e a cor escolhida foi, inevitavelmente, o khaki.

E foi graças a este modelo que seu nome se destacou no mundo da moda.O Trench coat torna-se, assim, mais um ícone da moda. E, como se diz hoje em dia, quando Audrey Hepburn e Humphfrey Bogart o vestiram, tornou-se viral.
É também uma peça indispensável em qualquer armário e podem encontrar em segunda mão na Retry.

  • O blazer e o terno é um Must de qualquer guarda roupa.É um exemplo do melhor que a alfaiataria produz com uma sobriedade e seriedade invejável, além de ser sempre um símbolo de elegância e bom gosto. Mesmo os actuais oversize e desconstruidos, são representativos de bom gosto. Tendo sido criado para os homens, Yves Saint Laurent Introduziu-o no universo feminino com uma distinção e classe irrefutável. Quem não conhece o famoso smoking? Invista num bom modelo em segunda mão, na Retry.

  • Por último, os Jeans. Não tem como falarmos de icons sem falar das calças jeans.O seu inventor e visionário Levi Strauss “institunalizou-os” nos Estados Unidos e criando sucessivas versões mais confortáveis, levou-os pelo mundo fora. Após 30 anos de upgrades no modelo original, Levi Strauss patenteou a primeira calça jeans da história, a primeira Levi’s,501. 


Mas sobre a moda podemos afirmar que é indubitavelmente cíclica. Quantas vezes já pensámos:

-“hummm eu tive uma peça assim em criança…”

A moda está em permanente movimento. As compras em segunda mão estão associadas a peças já com alguns anos cuja grande vantagem é a diferença na construção e corte e terem passado por vidas, mantendo-se ainda actuais.
Mas a criatividade na moda e, por isso, a torna cíclica, é um acumular de conhecimentos e memórias do passado transportadas para as necessidades do presente. É uma reinterpretação de uma “boa nostalgia” associada a um novo conceito.


Os mix e remix que as peças em segunda mão carregadas de história e carisma proporcionam, são desafiantes. Além disso em termos de sustentabilidade estamos a reutilizar e dar nova vida às peças.
A juntar a tudo isso surgem também as vantagens:

  • Lucramos no preço;
  • Na qualidade dos tecidos(normalmente feitos com fibras e processos mais naturais);
  • Temos acesso a peças icónicas e únicas;
  • Podemos adquirir marcas emblemáticos a preços acessíveis (que podem vir até a tornar-se num investimento [veja o caso das Carteiras e malas e casacos de pele verdadeiros);
  • Temos a oportunidade de sermos criativos, ao sabermos adaptar para nós, as peças que nasceram para as nossas avós;
  • Despertamos o interesse nos outros de quererem ser também diferentes;
  • Tornamo-nos “membros” de um planeta mais saudável;
  • Mantemos vivas as lojas de segunda mão;
  • Fazemos jus à melancolia das artes e ofícios do passado.

E no fim de tudo isto….. se quiser põe de novo à venda ou desfaz o vestido e faz almofadas. Ou se o tecido for extraordinário e com estampados fabulosos pode usá-los na decoração de sua casa, emoldurá-los por exemplo, …. a criatividade é infindável!

E se a primeira mão nasceu com uma estratégia e um propósito bem definido, a segunda mão pode até fazer desenvolver a verdadeira artista que há em si.
Faça um “tour”pela Retry e verá que não se irá arrepender.
Eu Maria Pia já fiz e numa próxima crónica irei falar dessa minha viagem.

Maria Pia


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